É tudo entretenimento, estúpido!
19 19America/Sao_Paulo fevereiro 19America/Sao_Paulo 2012 Deixe um comentário
Decidi me tornar um ouvinte mais apurado. E dia desses ouvia um amigo discorrer sobre sua paixão sobre futebol, suas idas ao estádio inflamado de paixão pela camisa, etc etc etc. Na sequência, o assunto virou para novela. O futebolista fanático inflamou ainda mais. “Novela é alienação do povo no maior grau”, “Big Brother é o lixo da televisão”, disparou. Eu ia retrucar, mas calei.
Ora, querido leitor, não podemos nos furtar a assumir que esse tipo de posição é comum. O futebol, paixão nacional, é justificado sempre. Criança nasce e tem que ter um time. Pai que tem filho homem tem que levá-lo ao estádio assim que possível. E até as eventuais agressões que ocorrem entre torcidas, embora não se justifiquem, acabam apaziguadas em nome do amor à camisa. É isto alienação ou entretenimento?
Passar noventa minutos em frente a televisão assistindo, chorando, berrando na janela e mandando um “chupa” pro vizinho é normal para as mesmas pessoas que acham alienação, sentar uma hora por dia para ver novela, torcer para um mocinho ou pra alguém do BBB. Cabe aqui a frase que dá título à este texto. É TUDO ENTRETENIMENTO, ESTÚPIDO! E neste caso, até mesmo sem briga entre torcidas organizadas.
Futebol, novela, BBB são farinha de um mesmo saco: o entretenimento. E pelo amor dos meus filhinhos: que mal há nisso! Pseudo-intelectuais que mal leem notícias de jornal vivem a bradar que esse tipo de coisa aliena porque não estimula o pensamento na política nacional ou nos problemas sociais. Uma coisa não anula a outra e o entretenimento é necessário pra manutenção da nossa estressante e já suficientemente problemática vida social.
Como já disse aqui em outro post, leio jornais diários, revistas semanais e mensais, vejo telejornal e escuto rádio. E não é porque não perco um só capítulo de Fina Estampa que tenho uma privada no lugar da cabeça e penso o mesmo sobre esse meu amigo. No fim das contas, tudo é a medida que se dá às coisas. Não dá para fazer da novela sua única razão de viver. Nem para agredir ou matar por futebol.