A fábrica falhou

Uma candidata fabricada pelo presidente Lula. Foi sob essa alcunha que a oposição, nas eleições de 2010, tentou desqualificar a então candidata Dilma Rousseff. Aqui mesmo, neste espaço, questionou-se quem realmente comandaria o Brasil. Se criador, ou criatura.

O fato é que, em pouco tempo, a comandante Dilma soube impôr seu estilo e ritmo de governo a todos os subordinados. Lula espreitou, indicou e até ditou certos rumos. Mas, até a página dois. E como combustível dessa virada de página figuram, surpreendentemente, as peripécias corruptas de nossos ministros.

Ao encarar seis crises ministeriais nas pastas em que o onipresente Lula deu seus pitacos, Dilma ganhou espaço. Trocou os canastrões e botou gente sua para comandar. Imprimiu seu estilo de poucas palavras, de perfil técnico e executivo em cada discurso e escolha.

Dilma incentivou a comissão da verdade, afastou-se da diplomacia iraniana que tanto gerou polêmica na era Lula e, mais recentemente, baixou juros e decidiu enfrentar a inflação diante do cenário de crise. Aliás, esta última posição foi a cereja do bolo que comprovou que os estilos Dilma e Lula divergem. No passado, diante do mesmo cenário, Lula fez o movimento inverso. Hoje, Dilma parece ter tomado a decisão mais sóbria. Mérito dela que fez boa escolha para a presidência do BC e do próprio Alexandre Tombini, técnico na área em que atua.

Dilma é menos populista, mais temida pelos corredores, mais enfáticas, de menos amigos e, até por isso, menos tolerante com os erros de sua equipe. Dilma cede para ganhar mais à frente (e cobra os ganhos, diferente de Lula, que apenas cedia). Dilma tem olhos abertos para o PMDB, está com o olho vivo nos emergentes PSB e PSD mas, especialmente, está focada em governar. Não há firula com o povo, nem com outros chefes de estado.

Qual será o resultado desse novo projeto que se apresenta em nossa presidência? Só ao final do quarto de ano (ou talvez só muito depois disso) poderemos dizer. Mas a tese de candidata fabricada, esta já está obsoleta.

Por trás das sacolinhas

Desde a semana passada já está em vigor em São Paulo a proibição da distribuição de sacolas plásticas em São Paulo. A lei, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) prevê o fim das sacolinhas tradicionais e a implantação de uma outra, biodegradável – esta com valor de R$ 0, 19 cada sendo repassado ao consumidor. Este, aliás, principal envolvido na história nem foi consultado sobre o tema.

Sob a “novidade” está a preocupação com o impacto ambiental do material plástico que leva anos para se decompôr, agravando ainda mais a situação dos caóticos aterros sanitários de nossa cidade. No entanto, há diversos pontos a serem analisados que colocam em xeque as boas intenções da medida.

Para começar, vamos combinar que um quinquilhão de sacolas biodegradáveis por aí  também são poluentes. Além disso, os supermercados que antes embutiam no preço dos produtos o valor das embalagens ficarão agora sem este ônus e qualquer redução nos valores repassados ao consumidor não foi cogitada. Sem falar nos interesses empresariais (dos supermercadistas e dos fabricantes das tais ‘biodegradáveis’, mais caras por sinal) e políticos (meio-ambiente tornou-se, nesta década, uma boa bandeira).

O não uso das sacolinhas é prática em outros países do mundo. A China e a Irlanda já implantaram esse sistema. Nesta última, o consumo do material caiu 97%, segundo dados do ministério do Meio Ambiente divulgados em 2010 pelo portal R7.

Acostumar-se a viver sem as sacolas é um hábito saudável a ser cultivado. Caixas, eco-bags e outras opções retornáveis devem ser estimuladas e são altamente eficazes.

Fiz uma experiência: troquei a média de 20 sacolas que usava nas compras de supermercado aqui de casa e coloquei os produtos da compra em caixas. Viraram apenas 5 embalagens de papelão que já foram devidamente armazenadas para a próxima compra.

A última polêmica envolvendo as santas sacolas é a questão de saúde pública. Há especialistas que defendam que o fim das embalagens usadas para envolver o lixo doméstico implicaria em ruas sujas e lixo mal-armazenado. Ora, querido leitor, isso deixa de ser problema das sacolinhas e vira coisa da educação!

Como muita coisa no Brasil, a ideia de proibir as sacolas é boa e saudável. As intenções que pairam por trás da decisão é tornam tudo um tanto quanto…poluente!

Aquele brado!

Pensei em escrever sobre a minissérie O Brado Retumbante logo ao fim do primeiro capítulo. Mas, como achei, em princípio, a interpretação do protagonista Domingos Montagner um tanto inconsistente na estreia, me abstive e fiz bem nisso! Ao longo dos oito capítulos, Domingos deu um verdadeiro show. A tal inconsistência que senti de saída foi, na verdade, o estilo que o ator imprimiu ao personagem.

Paulo Ventura não era um político escolado, daí um discurso natural, diferente e sem os tradicionais verbetes e cacoetes dos experientes da nossa política. Domingos deu um crescimento gradual ao personagem – algo difícil de fazer numa obra curta – e, ao fim da trama, Ventura não era lá um Paulo Maluf (e seu discurso apuradíssimo), mas já tinha certa malemolência na arte da política.

O texto do excelente Euclydes Marinho e sua equipe também esteve no ponto. Tratava-se de uma obra para adultos, sem obviedades ou frasismos manjados. Dispensando referências explícitas, a trama fez referência à todos os políticos brasileiros sem precisar retratar nenhum. Com um elenco enxuto, muitos atores conseguiram brilhar, casos de Otávio Augusto, Mariana Lima, Maria Fernanda Cândido e José Wilker. Leopoldo Pacheco e Miele também foram destaques.

A solução de contar cada capítulo com começo, meio, fim e título foi outra excelente sacada. Fez o telespectador que chegou à trama lá pela segunda semana acompanhar o que restava sem muitos prejuízos. Outra bola dentro da história foi o ritmo não foi frenético e dando a sensação de que o elenco ia pegar o trem das 11 e precisava dar uma corridinha. A história foi feita e programada para ter oito capítulos e foi contada sem sobressaltos durantes eles.

Ressalvo como minhas únicas expectativas não superadas: a abertura, que contemplou apenas autores e direção e foi curtíssima. E a participação do ator Murilo Armacollo, como Júlio/Julie. O ator esteve ótimo na atuação e foi feito um grande barulho em cima do personagem, que apareceu muito pouco. O talento do intérprete e a boa sacada de sua aparição poderiam ter sido mais explorados.

Noves fora, O Brado Retumbante foi uma grata surpresa desse início de ano. Uma obra selada com qualidade e bom gosto que vai deixar saudades.

E o que fazemos com o tempo?

Encontrei por acaso uns amigos que há tempos não via. Na verdade, não tão amigos já que acabamos nos separando por certa incompatibilidade, somada claro, à distância.

O caso é que bastou alguns instantes para perceber que as frases eram as mesmas, o jeito de se portar era o mesmo e as coisas que me irritavam um dia continuavam ali. Fui mais longe e ao olhar – invasivamente ou não, como queiram – a lista de amigos deles numa rede social, vi que constavam lá os mesmos amigos que tinham quando nos conhecemos. Apesar de terem mudado de emprego, entrado pra faculdade, feito cursos e todas as coisas de que se gabaram, continuavam ali, dentro da mesma caixinha: de amigos, de ‘convicções’, de manias…

Isso me despertou a atenção para algo que vinha refletindo faz tempo. A grande questão não é quanto tempo temos, mas o que fazemos com ele. Intrigado com a estagnação desses amigos, decidi fazer um balanço da minha vida nesse período e ver o quanto EU havia mudado. Acreditem: muita coisa. E não estou falando sobre mudar de casa, estilo de vestir ou emprego. Mas de evoluir como pessoa, conhecendo mais do mundo, perdendo a ingenuidade, a urgência infanto-juvenil, deixando de lado os valores efêmeros e dando valor ao que realmente importa.

O que fazemos com nosso tempo é problema nosso e, por isso, só tenho a lamentar pelos amigos que citei acima. Mas o que fazemos com nosso tempo será cobrado pela vida mais à frente. Ainda que você não mude nada em sua vida, faz bem usar o tempo para mudar em você. Evolução é a palavra, queridos. Ficar preso à ideias retrógradas, rancores antigos e comportamentos infantis não vai fazer ninguém ir para a frente, nem ser mais feliz. É apenas a ilusão de que, atrasando a evolução, atrasaremos com elas as responsabilidades que a vida nos traz.

Faça novos amigos, reveja conceitos, seja expert em novos assuntos e iniciante em outros tantos, aproveite bem o TEMPO.

Fina Estampa arrasa “mermo”

Me lembro que, quando Fina Estampa começou eu estranhei um pouco o clima “solar” da trama. E disse que faltava algo que me prendesse na história, um fio condutor. Mas, claro: isso em nenhum momento tornou a novela menos brilhante do que é desde o início.

O caso é que as inúmeras externas escritas por Aguinaldo Silva tinham um refresco – e agora que elas foram diminuídas sentimos isso – que tornavam a novela única, arejada e parecida a outras tramas do autor como Porto dos Milagres e Pedra Sobre Pedra. E o grande trunfo do autor também não está num ‘fio condutor’, mas em personagens bem construídos até dizer chega e que prendem o telespectador: taí Crô, Griselda, Tereza Cristina, Teodora e Pereirinha que não nos deixam mentir.

Aguinaldo é gênio. E quem acompanha seus comentários no portal (www.aguinaldosilvadigital.com.br) e no Twitter (@aguinaldaosilva) sabe que ele é também uma atração à parte da trama. Tece comentários, vibra com os fãs, agradece a audiência e rechaça a crítica pseudo-intelectual que finge ignorar a trama. Aguinaldo é popular, tem orgulho disso. Mostrou que sabe, como nenhum outro autor no Brasil, retratar a periferia e a classe média. Vide Senhora do Destino e a lendária Portelinha, de Duas Caras.

Fina Estampa é um celeiro de bons personagens e de história bem amarrada. O sucesso que conquista a cada dia e que na última terça deu o recorde de 47 pontos de audiência é mais do que merecido. A trama fala bonito com o verdadeiro público das novelas, diverte, prende e caga para a verossimilhança. Tudo na trama é um tom acima. A decadência de Tia Íris, a loucura de Tereza Cristina, o núcleo hippie. E é isso que a torna especial, sua lógica própria aliada à altíssima identificação que provoca nos telespectadores. Em todos e em cada um.

À quem não gosta, fica – como diz o próprio autor da trama – o nosso FOM FOM de protesto.

Ai se eu pego…

Adoro como brasileiro, volta e meia, decide botar uma falsa moral. O carinha que é viciado em FarmVille critica quem assiste BBB e chama de alienado. O outro que assiste toda a série Harry Potter fala mal de quem assiste novela. E aquele que escuta programa de piada e trote no rádio detona quem gosta do “Ai, se eu te pego”. Ah, vá plantar batatas, pô!

Recado aos queridinhos: leio quatro revistas por semana, jornal diariamente, aprecio literatura de diversos países e amo filme do Almodovar. Diante disso tudo, só porque vejo BBB tenho uma privada no lugar da cabeça?! Ah, vá!

Daí a nova moda agora é criticar o “Ai, se eu te pego”, do Michel Teló. Desde que o cantor foi capa da revista Época e sua música explodiu levando o título de ‘a cara do Brasil’ no mundo inteiro, tem intelectualóides revoltados porque o mesmo não aconteceu com Legião Urbana, Cazuza e João Gilberto, ditos “músicos de verdade”.

Ora veja! Cada um teve seu momento e com os músicos que citei acima não foi diferente. E o talentoso Michel Teló não é melhor nem pior do que eles. É simples questão de gosto. Cada música fala com um tipo de pessoa, tem seu tipo de público. Mas não adianta: cada vez que uma música popular seja ela sertaneja, pagode ou samba cai no gosto da crítica, surgem os fiscalizadores da intelectualidade do alto de sua pilha de livros para condenar.

À quem não conhece, vale dizer que Michel Teló é um exímio músico e instrumentista, com anos de estrada e o, enfim, reconhecimento é até tardio. Se a letra da música é uma poesia ou não, isso é outro negócio. E qualquer pessoa tem o direito de não gostar. Mas, daí a querer rebaixar a qualidade de tudo aquilo que não gosta, pera lá!

Já disse e repito: cada coisa deve ser avaliada diante daquilo que se propõe. A canção do cantor mato-grossense não pretende ser uma poesia nem emocionar, apenas divertir. E diverte. Ou seja, faz bonito dentro daquilo que se propõe. E é isso que importa.

Cabeça de privada…faça-me um favor!

Uma bela versão de Dercy

Poucas coisas na televisão já me impressionaram tanto quanto a microssérie Dercy de Verdade, exibida pela TV Globo na semana passada. Do texto às mínimas figurações, tudo parecia afinado como uma bela serenata em homenagem à estrela do teatro e da televisão brasileira.

Maria Adelaide Amaral sabe, como ninguém, contar histórias com poucos capítulos (fez isso em Dalva e Herivelto, JK – com um pouco mais de tempo, claro – e A casa das sete mulheres). Seu texto é bem acabado, a condução da história bem arranjada e estava em perfeita harmonia com a direção de Jorge Fernando, estúpidamente mais sóbria do que seus trabalhos anteriores em novelas. Nada de cenas pastelão ou gritaria: Dercy esteve, de verdade, à frente de tudo.

As duas intérpretes, Fafy e Heloísa souberam conduzir os momentos dramáticos e engraçados com a mesma vitalidade e os coadjvantes, entre os quais destacaria Tuca Andrada, Armando Babaioff e Rosi Campos estavam à altura das protagonistas.

Óbvio, em quatro capítulos, notamos que muito faltou dizer sobre Dercy. Sua fase no SBT, com Silvio Santos, por exemplo, não foi contada. Mas o objetivo da microssérie foi amplamente alcançado: mostrar ao público uma Dercy que muitos não conheciam. Uma mulher além dos palavrões e tiradas sacanas e engraçadas. Alguém que sofreu, foi fiel, foi honrada, mãe exemplar e deu a volta por cima de cada rasteira que a vida (e as pessoas que nela estavam) lhe deu. Valeu cada uma das quatro noites que passamos diante da telinha.

Se termina, também começa

Ninguém gosta de se despedir. Encerrar ciclos, seja o período escolar, faculdade, trabalho é sempre doloroso. Isso porque, numa situação dessas, dificilmente vemos o outro lado da coisa. Afinal, quando algo se encerra, outra coisa começa, tô certo?

Numa dessas, me vi hoje num dia de encerramento de ciclos. Depois de pouco mais de um ano, finalizo uma etapa importante da minha vida. Tal qual uma novela que dá o ar de seu último capítulo, vivi risos, paixões, dramas e aprendizados num período que foi um dos mais importantes para minha vida. Pessoal e profissional.

Encerrar esse ciclo não é uma tarefa fácil e desde que os primeiros sinais de que ele estava terminando (ainda no ano passado) se apresentaram, fiquei pensando se esta era realmente a hora certa. Baseado numa máxima que diz que ‘um ciclo só se encerra se já aprendemos, por meio dele, tudo aquilo que precisamos’, vi que era momento de partir para novos desafios. Justamente porque, como disse, consegui aproveitar todas as emoções possíveis dessa etapa e me sinto pronto, por causa dela, para encarar os próximos capítulos.

Foram tantos aprendizados e tantas pessoas incríveis que conheci que nada tirará de mim as lembranças desse tempo. Foi um momento de amadurecimento, dolorosas e risonhas lições e muita alegria por ter trabalhado com pessoas tão incríveis profissional e pessoalmente falando. Deste ciclo, ficarão os amigos, a gratidão por cada oportunidade e o que aprendi e levarei pra próxima etapa.

E assim descobri o segredo de encerrar um ciclo e abrir outro sem dor. Sempre levar algo de um pro outro. Não mágoas que possam ter ocorrido, nem irritações, nem banalidades, mas tudo aquilo que vai fazer o próximo ciclo ficar ainda mais rico.

Lágrimas? Que nada! Só alegria de olhar para trás e ver uma porta linda que um dia foi aberta (e assim continua, graças a Deus) e à frente, uma outra escancarada e cheia de possibilidades. Bora, entrar e ver o que rola por lá?!

Maturidade não vem com a idade

Volta e meia me pegava revoltadíssimo ao perceber pessoas mais velhas e com mais vivência do que eu em meio a atitudes que meu primo de onze anos jamais teria. Depois de muito tempo alimentando essa revolta a cada vez que via uma dessas situações deprimentes de pessoas agindo cheias de mimos, fricotes e imaturidades, entendi uma coisa: maturidade nada tem a ver com idade.

A forma de agir de alguém não está ligada a quantos anos essa pessoa completou nem a quantas experiências já teve. Mas em como lidou com cada uma delas. A maturidade é um negócio complicado que pode se dar naturalmente ou com uma dose cavalar de decepções e traumas. Também pode vir cedo ou tarde.

Todos nós, em algum momento, mesmo depois de amadurecidos, temos momentos de infantilidade. Seja naquela brincadeira besta com amigos ou numa tola demonstração de ciúme. Mas, o fato é que o não falta mesmo por aí gente agindo como se tivesse onze anos. Com uma bela idade nas costas, insistindo em não enxergar o mundo como realmente é. Sim, porque há quem rejeite – por medo ou insegurança – a chegada da maturidade.

Maturidade que não é lidar com todos os problemas com sisudez, não. Pelo contrário: é o amadurecimento que nos traz a sabedoria para tratar com bom humor os nossos problemas e escolher as batalhas que vamos comprar para nos estressar menos. Nos resta, então, lamentar pelos que insistem em achar que maturidade é coisa de velho.

BBB e as Mulheres Ricas

Dois assuntos dominaram as rodas de conversa, debates no facebook e sonhos nesta semana. Ok, sonhos não. A estreia do reality Mulheres Ricas, na Band, causou inveja nuns, asco em outros. O programa estrelado por socialites é uma das maiores afrontas já vistas na televisão. Mas não porque exibe ricaças esfregando dinheiro na cara da sociedade pobre e cheia de diferenças sociais do Brasil, afinal, isso a novela e o cinema também fazem. Mas porque é ruim mesmo. Tudo parece ensaiado, caricato, sem objetivo aparente. O programa não tem razão de ser. Dizer que está mostrando a realidade daquelas mulheres? Ora, faça-me dois favores! A única ali que parece menos ensaiada é Débora Rodrigues, visivelmente desconfortável no papel de perua gastadeira. Aos politicamente corretos, ofendidos pela exibição de riqueza, apresenta-se o controle remoto, soberano na escolha do que se quer assistir. Agora, que o programa é ruim é, viu!

Daí veio o BBB e as menifestação que anualmente são comandadas por pseudo-intelectuais que desprezam o programa e seus apreciadores. Provavelmente são pessoas que não vêem novela, nem futebol, certo? Errado. A turma chata do anti-BBB quer justificar sua intelectualidade odiando o programa como se televisão fosse só para adquirir cultura. Quereedo (como diz o mago Aguinaldo Silva), quer cultura que tal largar a internet e ir ler um pouco de Kafka, Machado ou Camões? Televisão é entretenimento. E assiste quem quer. O Big Brother é um programa de puro entretenimento, pouquíssimo aproveitamento em termos culturais, mas que está ali para quem quer, junto com tooodas as outras milhares de opções que o dial oferece. Se eu vou assistir ao BBB 12? Não. Mas não porque vejo nele qualquer ameaça aos meus neurônios, só porque acho que já deu. Não me entretém mais como antes.

O que quero dizer com essa exposição, querido leitor, é que um programa bom é aquele que cumpre o que promete. Mulheres Ricas e BBB prometem entretenimento e não entretém. Um porque não se justifica, o outro porque perdeu fôlego com o passar dos anos. E isso sim é justificativa válida para não vê-los. Dizer que são fúteis, alienantes e podres é uma questão de opinião e está sujeita ao que já disse antes: sua escolha no controle remoto. Mas vamos combinar: quem vê pensa que a turma cri-cri passa o dia todo adquirindo conhecimento, não fuça a vida dos outros no Facebook e nem vê filme água com açúcar no cinema. Ora, faça-me três favores!

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