É tudo entretenimento, estúpido!

Decidi me tornar um ouvinte mais apurado. E dia desses ouvia um amigo discorrer sobre sua paixão sobre futebol, suas idas ao estádio inflamado de paixão pela camisa, etc etc etc. Na sequência, o assunto virou para novela. O futebolista fanático inflamou ainda mais. “Novela é alienação do povo no maior grau”, “Big Brother é o lixo da televisão”, disparou. Eu ia retrucar, mas calei.

Ora, querido leitor, não podemos nos furtar a assumir que esse tipo de posição é comum. O futebol, paixão nacional, é justificado sempre. Criança nasce e tem que ter um time. Pai que tem filho homem tem que levá-lo ao estádio assim que possível. E até as eventuais agressões que ocorrem entre torcidas, embora não se justifiquem, acabam apaziguadas em nome do amor à camisa. É isto alienação ou entretenimento?

Passar noventa minutos em frente a televisão assistindo, chorando, berrando na janela e mandando um “chupa” pro vizinho é normal para as mesmas pessoas que acham alienação, sentar uma hora por dia para ver novela, torcer para um mocinho ou pra alguém do BBB. Cabe aqui a frase que dá título à este texto. É TUDO ENTRETENIMENTO, ESTÚPIDO! E neste caso, até mesmo sem briga entre torcidas organizadas.

Futebol, novela, BBB são farinha de um mesmo saco: o entretenimento. E pelo amor dos meus filhinhos: que mal há nisso! Pseudo-intelectuais que mal leem notícias de jornal vivem a bradar que esse tipo de coisa aliena porque não estimula o pensamento na política nacional ou nos problemas sociais. Uma coisa não anula a outra e o entretenimento é necessário pra manutenção da nossa estressante e já suficientemente problemática vida social.

Como já disse aqui em outro post, leio jornais diários, revistas semanais e mensais, vejo telejornal e escuto rádio. E não é porque não perco um só capítulo de Fina Estampa que tenho uma privada no lugar da cabeça e penso o mesmo sobre esse meu amigo. No fim das contas, tudo é a medida que se dá às coisas. Não dá para fazer da novela sua única razão de viver. Nem para agredir ou matar por futebol.

A delícia de sentir-se desafiado

Não há maior clichê entre candidatos em seleções de emprego do que dizer “eu adoro desafios”. Sabendo que as empresas sempre buscam quem topa todas e adora funcionários motivados, tem gente que solta a torto e a direito essa afirmação. Mas na hora do “pega prá capar”, queridos, será que todo mundo realmente adora sentir-se desafiado?

A verdade é que esse tipo de coisa a gente só sabe na prática. Já havia experimentado essa sensação outras vezes, mas, recentemente, ao trocar um veículo impresso pelo estimulante desafio de fazer televisão, tive essa…aptidão, por assim dizer, testada mais uma vez. E adorei!

Podendo entender mais sobre os pequenos e igualmente importantes processos que fazem parte do ‘fazer televisão’ tive duas reações possíveis: entrar em pânico ou me entregar de corpo e alma à esse desafio enlouquecedoramente delicioso. Óbvio que a segunda opção me apeteceu mais.

Os momentos de tirar o fôlego pela sensação do desafio, do aprendizado constante , do inesperado é o que move certos profissionais. E é o que me moveu também.

No entanto, já tive contato com pessoas que fogem do desafio, que se enterram em suas zonas de conforto e evitam o confronto com o desconhecido. Há quem contente-se com o emprego ‘meia boca’ porque não exige tanto e tem horário flexível, há quem sente no conforto do dinheiro dos pais e decida não começar sua própria vida profissional e há aqueles que passam quatro anos da universidade com dedicação integral sem perceber que isso nada mais é do que preparo para uma carreira, diante da qual eles já estão atrasados.

Por que essa diferença entre os que amam o desafio e os que correm dele? A única resposta que encontrei é a paixão. Paixão pelo que se faz, pela carreira escolhida, pelo ideal que ela representa.

“Estar num lugar querendo estar em outro, tem castigo maior do que esse?”. É nesta frase, dita pela atriz Regina Duarte em sua participação no quadro O que vi da vida, no Fantástico, ao refletir sobre escolha profissional que cada pessoa deveria pensar antes de assinar a inscrição do vestibular.

Tablets para salvar a educação?

Mais de 600 mil tablets devem ser distribuídos a professores de ensino médio da rede pública, segundo o novo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Na contrapartida, o jornal Folha de S. Paulo publicou nesta sexta, 3, matéria sobre a inclusão desse artefato tecnológico nas listas de material de colégios particulares.

Em entrevistas, Mercadante tem vangloriado-se da iniciativa com os professores e há, em torno disso, um lamento pelo fato de os alunos ainda não terem o menor contato com tal tecnologia. Tudo isso como se, fosse o tal invento revolucionar a educação no Brasil. Ei, bora acordar?! Não vai!

O problema da educação no país, especialmente na rede pública, está ligado ao conteúdo e não à forma. Não é a forma de dar as aulas que vai fazer os alunos ficarem mais preparados – não que isso deva também ser desprezado – mas sim o conteúdo e o preparo dos mestres para isso.

Professores com baixos salários, sem plano de carreira e consequentemente desmotivados são muito mais nocivos para a educação de nossas crianças e adolescentes do que a velha lousa verde de giz. Escolas nas periferias não tem infra-estrutura e higiene básicos, há alunos que vão para o colégio para ter a merenda como única refeição do dia (e às vezes, nem isso conseguem). As aulas resumem-se, muitas vezes, na cópia de livros didáticos sem explicação do professor. Cópias de livros criados para doutrinas nossos jovens a acatar, sem senso crítico, não estimulando a criatividade nem a capacidade de análise.

É nisso, nos problemas sociais (que incluem ainda a não-participação dos pais na vida escolar dos filhos, as duras realidades dessas crianças nas localidades mais pobres e a falta de um conteúdo programático de verdade – que não seja interrompido por faltas de professor, estrutura, excesso de alunos nas salas) que o ministério da Educação deve focar. Enfiar meia-dúzia de traquitanas tecnológicas na mão dos professores ou dos alunos, que seja, não vai melhorar em nada nossa educação.

A tecnologia é boa, necessária e deve ser compreendida pelos mestres nas escolas para que estes possam estar um passo à frente de seus alunos, sempre prontos a esclarecer suas dúvidas. Agora, fazer disso um cavalo de batalha, como se fosse o grande arauto de salvação de nossa educação decadente, ora, ora: é puro interesse político barato em cima de nossas crianças!

Que brasileiras!

Estreou ontem na Globo As Brasileiras, o spin-off da série de sucesso As Cariocas, idealizada por Daniel Filho e exibida pela emissora em 2010. Supreendentemente, previsões já indicam que o filhote deve ter mais episódios que a “mãe”, que ficou no ar por pouco mais de dois meses.

Na estreia, Juliana Paes, adiantando um pouco do visual e sotaque que em breve estrelará em Gabriela, foi A Justiceira de Olinda. Ao lado de Marcos Palmeira e Leona Cavalli, a atriz arrasou no papel de uma mulher que, ao imaginar que é traída pelo marido, corta fora seu membro e depois, arrependida, sai à caça do tal para reimplantá-lo.

A produção teve a mesma qualidade técnica, de fotografia e texto da temporada anterior. Um tratamento especial, aliás, na fotografia e escolha de elementos de cena e locações dá à série um tom especial, um degrau acima da realidade, mas sem pirar demais. Em três blocos, o episódio teve ritmo cadenciado e, justamente por ter poucos personagens, focou apenas na história da protagonista e conseguiu, no pouco tempo de atração, contar tudo sem pulos.

A única ressalva a ser feita é a quantidade de narrações. Em As Cariocas, elas se concentravam no início, final e alguma coisa no meio da trama. No capítulo com Juliana Paes houve algum excesso e cenas ganharam texto sem necessidade. Fora isso, até a iniciativa de manter a música e a forma da abertura devem ser destacadas como mérito. A canção é ótima e caiu na boca do povo em pouco tempo, a abertura é criativa, gostosa de ver e resume um pouco do espírito da série.

Agora, basta aguardar pelas próximas brasileiras da nossa lista. Entre as atrizes que serão temas de história estão Fernanda Montenegro, Bruna Linzmeyer, Mariana Ximenes, Suyane Moreira, Claudia Gimenez, Gloria Pires, Sophie Charlotte e Dira Paes.

A fábrica falhou

Uma candidata fabricada pelo presidente Lula. Foi sob essa alcunha que a oposição, nas eleições de 2010, tentou desqualificar a então candidata Dilma Rousseff. Aqui mesmo, neste espaço, questionou-se quem realmente comandaria o Brasil. Se criador, ou criatura.

O fato é que, em pouco tempo, a comandante Dilma soube impôr seu estilo e ritmo de governo a todos os subordinados. Lula espreitou, indicou e até ditou certos rumos. Mas, até a página dois. E como combustível dessa virada de página figuram, surpreendentemente, as peripécias corruptas de nossos ministros.

Ao encarar seis crises ministeriais nas pastas em que o onipresente Lula deu seus pitacos, Dilma ganhou espaço. Trocou os canastrões e botou gente sua para comandar. Imprimiu seu estilo de poucas palavras, de perfil técnico e executivo em cada discurso e escolha.

Dilma incentivou a comissão da verdade, afastou-se da diplomacia iraniana que tanto gerou polêmica na era Lula e, mais recentemente, baixou juros e decidiu enfrentar a inflação diante do cenário de crise. Aliás, esta última posição foi a cereja do bolo que comprovou que os estilos Dilma e Lula divergem. No passado, diante do mesmo cenário, Lula fez o movimento inverso. Hoje, Dilma parece ter tomado a decisão mais sóbria. Mérito dela que fez boa escolha para a presidência do BC e do próprio Alexandre Tombini, técnico na área em que atua.

Dilma é menos populista, mais temida pelos corredores, mais enfáticas, de menos amigos e, até por isso, menos tolerante com os erros de sua equipe. Dilma cede para ganhar mais à frente (e cobra os ganhos, diferente de Lula, que apenas cedia). Dilma tem olhos abertos para o PMDB, está com o olho vivo nos emergentes PSB e PSD mas, especialmente, está focada em governar. Não há firula com o povo, nem com outros chefes de estado.

Qual será o resultado desse novo projeto que se apresenta em nossa presidência? Só ao final do quarto de ano (ou talvez só muito depois disso) poderemos dizer. Mas a tese de candidata fabricada, esta já está obsoleta.

Por trás das sacolinhas

Desde a semana passada já está em vigor em São Paulo a proibição da distribuição de sacolas plásticas em São Paulo. A lei, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) prevê o fim das sacolinhas tradicionais e a implantação de uma outra, biodegradável – esta com valor de R$ 0, 19 cada sendo repassado ao consumidor. Este, aliás, principal envolvido na história nem foi consultado sobre o tema.

Sob a “novidade” está a preocupação com o impacto ambiental do material plástico que leva anos para se decompôr, agravando ainda mais a situação dos caóticos aterros sanitários de nossa cidade. No entanto, há diversos pontos a serem analisados que colocam em xeque as boas intenções da medida.

Para começar, vamos combinar que um quinquilhão de sacolas biodegradáveis por aí  também são poluentes. Além disso, os supermercados que antes embutiam no preço dos produtos o valor das embalagens ficarão agora sem este ônus e qualquer redução nos valores repassados ao consumidor não foi cogitada. Sem falar nos interesses empresariais (dos supermercadistas e dos fabricantes das tais ‘biodegradáveis’, mais caras por sinal) e políticos (meio-ambiente tornou-se, nesta década, uma boa bandeira).

O não uso das sacolinhas é prática em outros países do mundo. A China e a Irlanda já implantaram esse sistema. Nesta última, o consumo do material caiu 97%, segundo dados do ministério do Meio Ambiente divulgados em 2010 pelo portal R7.

Acostumar-se a viver sem as sacolas é um hábito saudável a ser cultivado. Caixas, eco-bags e outras opções retornáveis devem ser estimuladas e são altamente eficazes.

Fiz uma experiência: troquei a média de 20 sacolas que usava nas compras de supermercado aqui de casa e coloquei os produtos da compra em caixas. Viraram apenas 5 embalagens de papelão que já foram devidamente armazenadas para a próxima compra.

A última polêmica envolvendo as santas sacolas é a questão de saúde pública. Há especialistas que defendam que o fim das embalagens usadas para envolver o lixo doméstico implicaria em ruas sujas e lixo mal-armazenado. Ora, querido leitor, isso deixa de ser problema das sacolinhas e vira coisa da educação!

Como muita coisa no Brasil, a ideia de proibir as sacolas é boa e saudável. As intenções que pairam por trás da decisão é tornam tudo um tanto quanto…poluente!

Aquele brado!

Pensei em escrever sobre a minissérie O Brado Retumbante logo ao fim do primeiro capítulo. Mas, como achei, em princípio, a interpretação do protagonista Domingos Montagner um tanto inconsistente na estreia, me abstive e fiz bem nisso! Ao longo dos oito capítulos, Domingos deu um verdadeiro show. A tal inconsistência que senti de saída foi, na verdade, o estilo que o ator imprimiu ao personagem.

Paulo Ventura não era um político escolado, daí um discurso natural, diferente e sem os tradicionais verbetes e cacoetes dos experientes da nossa política. Domingos deu um crescimento gradual ao personagem – algo difícil de fazer numa obra curta – e, ao fim da trama, Ventura não era lá um Paulo Maluf (e seu discurso apuradíssimo), mas já tinha certa malemolência na arte da política.

O texto do excelente Euclydes Marinho e sua equipe também esteve no ponto. Tratava-se de uma obra para adultos, sem obviedades ou frasismos manjados. Dispensando referências explícitas, a trama fez referência à todos os políticos brasileiros sem precisar retratar nenhum. Com um elenco enxuto, muitos atores conseguiram brilhar, casos de Otávio Augusto, Mariana Lima, Maria Fernanda Cândido e José Wilker. Leopoldo Pacheco e Miele também foram destaques.

A solução de contar cada capítulo com começo, meio, fim e título foi outra excelente sacada. Fez o telespectador que chegou à trama lá pela segunda semana acompanhar o que restava sem muitos prejuízos. Outra bola dentro da história foi o ritmo não foi frenético e dando a sensação de que o elenco ia pegar o trem das 11 e precisava dar uma corridinha. A história foi feita e programada para ter oito capítulos e foi contada sem sobressaltos durantes eles.

Ressalvo como minhas únicas expectativas não superadas: a abertura, que contemplou apenas autores e direção e foi curtíssima. E a participação do ator Murilo Armacollo, como Júlio/Julie. O ator esteve ótimo na atuação e foi feito um grande barulho em cima do personagem, que apareceu muito pouco. O talento do intérprete e a boa sacada de sua aparição poderiam ter sido mais explorados.

Noves fora, O Brado Retumbante foi uma grata surpresa desse início de ano. Uma obra selada com qualidade e bom gosto que vai deixar saudades.

E o que fazemos com o tempo?

Encontrei por acaso uns amigos que há tempos não via. Na verdade, não tão amigos já que acabamos nos separando por certa incompatibilidade, somada claro, à distância.

O caso é que bastou alguns instantes para perceber que as frases eram as mesmas, o jeito de se portar era o mesmo e as coisas que me irritavam um dia continuavam ali. Fui mais longe e ao olhar – invasivamente ou não, como queiram – a lista de amigos deles numa rede social, vi que constavam lá os mesmos amigos que tinham quando nos conhecemos. Apesar de terem mudado de emprego, entrado pra faculdade, feito cursos e todas as coisas de que se gabaram, continuavam ali, dentro da mesma caixinha: de amigos, de ‘convicções’, de manias…

Isso me despertou a atenção para algo que vinha refletindo faz tempo. A grande questão não é quanto tempo temos, mas o que fazemos com ele. Intrigado com a estagnação desses amigos, decidi fazer um balanço da minha vida nesse período e ver o quanto EU havia mudado. Acreditem: muita coisa. E não estou falando sobre mudar de casa, estilo de vestir ou emprego. Mas de evoluir como pessoa, conhecendo mais do mundo, perdendo a ingenuidade, a urgência infanto-juvenil, deixando de lado os valores efêmeros e dando valor ao que realmente importa.

O que fazemos com nosso tempo é problema nosso e, por isso, só tenho a lamentar pelos amigos que citei acima. Mas o que fazemos com nosso tempo será cobrado pela vida mais à frente. Ainda que você não mude nada em sua vida, faz bem usar o tempo para mudar em você. Evolução é a palavra, queridos. Ficar preso à ideias retrógradas, rancores antigos e comportamentos infantis não vai fazer ninguém ir para a frente, nem ser mais feliz. É apenas a ilusão de que, atrasando a evolução, atrasaremos com elas as responsabilidades que a vida nos traz.

Faça novos amigos, reveja conceitos, seja expert em novos assuntos e iniciante em outros tantos, aproveite bem o TEMPO.

Fina Estampa arrasa “mermo”

Me lembro que, quando Fina Estampa começou eu estranhei um pouco o clima “solar” da trama. E disse que faltava algo que me prendesse na história, um fio condutor. Mas, claro: isso em nenhum momento tornou a novela menos brilhante do que é desde o início.

O caso é que as inúmeras externas escritas por Aguinaldo Silva tinham um refresco – e agora que elas foram diminuídas sentimos isso – que tornavam a novela única, arejada e parecida a outras tramas do autor como Porto dos Milagres e Pedra Sobre Pedra. E o grande trunfo do autor também não está num ‘fio condutor’, mas em personagens bem construídos até dizer chega e que prendem o telespectador: taí Crô, Griselda, Tereza Cristina, Teodora e Pereirinha que não nos deixam mentir.

Aguinaldo é gênio. E quem acompanha seus comentários no portal (www.aguinaldosilvadigital.com.br) e no Twitter (@aguinaldaosilva) sabe que ele é também uma atração à parte da trama. Tece comentários, vibra com os fãs, agradece a audiência e rechaça a crítica pseudo-intelectual que finge ignorar a trama. Aguinaldo é popular, tem orgulho disso. Mostrou que sabe, como nenhum outro autor no Brasil, retratar a periferia e a classe média. Vide Senhora do Destino e a lendária Portelinha, de Duas Caras.

Fina Estampa é um celeiro de bons personagens e de história bem amarrada. O sucesso que conquista a cada dia e que na última terça deu o recorde de 47 pontos de audiência é mais do que merecido. A trama fala bonito com o verdadeiro público das novelas, diverte, prende e caga para a verossimilhança. Tudo na trama é um tom acima. A decadência de Tia Íris, a loucura de Tereza Cristina, o núcleo hippie. E é isso que a torna especial, sua lógica própria aliada à altíssima identificação que provoca nos telespectadores. Em todos e em cada um.

À quem não gosta, fica – como diz o próprio autor da trama – o nosso FOM FOM de protesto.

Ai se eu pego…

Adoro como brasileiro, volta e meia, decide botar uma falsa moral. O carinha que é viciado em FarmVille critica quem assiste BBB e chama de alienado. O outro que assiste toda a série Harry Potter fala mal de quem assiste novela. E aquele que escuta programa de piada e trote no rádio detona quem gosta do “Ai, se eu te pego”. Ah, vá plantar batatas, pô!

Recado aos queridinhos: leio quatro revistas por semana, jornal diariamente, aprecio literatura de diversos países e amo filme do Almodovar. Diante disso tudo, só porque vejo BBB tenho uma privada no lugar da cabeça?! Ah, vá!

Daí a nova moda agora é criticar o “Ai, se eu te pego”, do Michel Teló. Desde que o cantor foi capa da revista Época e sua música explodiu levando o título de ‘a cara do Brasil’ no mundo inteiro, tem intelectualóides revoltados porque o mesmo não aconteceu com Legião Urbana, Cazuza e João Gilberto, ditos “músicos de verdade”.

Ora veja! Cada um teve seu momento e com os músicos que citei acima não foi diferente. E o talentoso Michel Teló não é melhor nem pior do que eles. É simples questão de gosto. Cada música fala com um tipo de pessoa, tem seu tipo de público. Mas não adianta: cada vez que uma música popular seja ela sertaneja, pagode ou samba cai no gosto da crítica, surgem os fiscalizadores da intelectualidade do alto de sua pilha de livros para condenar.

À quem não conhece, vale dizer que Michel Teló é um exímio músico e instrumentista, com anos de estrada e o, enfim, reconhecimento é até tardio. Se a letra da música é uma poesia ou não, isso é outro negócio. E qualquer pessoa tem o direito de não gostar. Mas, daí a querer rebaixar a qualidade de tudo aquilo que não gosta, pera lá!

Já disse e repito: cada coisa deve ser avaliada diante daquilo que se propõe. A canção do cantor mato-grossense não pretende ser uma poesia nem emocionar, apenas divertir. E diverte. Ou seja, faz bonito dentro daquilo que se propõe. E é isso que importa.

Cabeça de privada…faça-me um favor!

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