Por trás das sacolinhas

Desde a semana passada já está em vigor em São Paulo a proibição da distribuição de sacolas plásticas em São Paulo. A lei, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) prevê o fim das sacolinhas tradicionais e a implantação de uma outra, biodegradável – esta com valor de R$ 0, 19 cada sendo repassado ao consumidor. Este, aliás, principal envolvido na história nem foi consultado sobre o tema.

Sob a “novidade” está a preocupação com o impacto ambiental do material plástico que leva anos para se decompôr, agravando ainda mais a situação dos caóticos aterros sanitários de nossa cidade. No entanto, há diversos pontos a serem analisados que colocam em xeque as boas intenções da medida.

Para começar, vamos combinar que um quinquilhão de sacolas biodegradáveis por aí  também são poluentes. Além disso, os supermercados que antes embutiam no preço dos produtos o valor das embalagens ficarão agora sem este ônus e qualquer redução nos valores repassados ao consumidor não foi cogitada. Sem falar nos interesses empresariais (dos supermercadistas e dos fabricantes das tais ‘biodegradáveis’, mais caras por sinal) e políticos (meio-ambiente tornou-se, nesta década, uma boa bandeira).

O não uso das sacolinhas é prática em outros países do mundo. A China e a Irlanda já implantaram esse sistema. Nesta última, o consumo do material caiu 97%, segundo dados do ministério do Meio Ambiente divulgados em 2010 pelo portal R7.

Acostumar-se a viver sem as sacolas é um hábito saudável a ser cultivado. Caixas, eco-bags e outras opções retornáveis devem ser estimuladas e são altamente eficazes.

Fiz uma experiência: troquei a média de 20 sacolas que usava nas compras de supermercado aqui de casa e coloquei os produtos da compra em caixas. Viraram apenas 5 embalagens de papelão que já foram devidamente armazenadas para a próxima compra.

A última polêmica envolvendo as santas sacolas é a questão de saúde pública. Há especialistas que defendam que o fim das embalagens usadas para envolver o lixo doméstico implicaria em ruas sujas e lixo mal-armazenado. Ora, querido leitor, isso deixa de ser problema das sacolinhas e vira coisa da educação!

Como muita coisa no Brasil, a ideia de proibir as sacolas é boa e saudável. As intenções que pairam por trás da decisão é tornam tudo um tanto quanto…poluente!

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